- 07 Nov 2014, 02:00
#918951
E mais uma vez estava lá, naquele lugar em que por 6 horas me sinto mais inteligente e superior a todos os outros. A faculdade me aparece como um terno de grife que eu uso todas as manhãs.
Chega a hora do almoço e eu tento socializar com pessoas que simplesmente não me despertam qualquer interesse.
- Eu adorei aquela parte que o professor citou Marx para falar sobre a classe opressora. Uma garota completamente sem qualquer atributo físico positivo tentou puxar assunto.
- Uhum, é... foi legal. Tento ao máximo abrir um sorriso. Talvez esses anos de estudo de BL sirvam para alguma coisa.
Entro na fila, que se move numa velocidade que deixaria Rubinho Barriquelo com inveja de tamanha lentidão (sim, eu fiz essa piada)
Enquanto a fila anda, eu solto breves palavras para os meus ''amigos'' só para demonstrar que não sou um ogro introvertido de todo.
Olho o cardápio.
- Que merda, arroz com brócolis! Somos filósofos mas ainda não somos mendigos! Um maluco solta em voz alta para atrair para si todas as atenções, até que ele tem um senso de humor que me agrada, talvez eu ainda tolere sua presença por mais alguns minutos.
Me aproximo da recepção e reparo numa senhora triste, em um tom quase melancólico, servindo a comida como se cada prato de arroz que colocava no meu prato fosse mais uma tonelada de tristesa nas suas costas.
- Oi, como é que tá o trabalho hoje?. Pela primeira vez me deparo com alguem que mereça minha atenção.
-Ah, esta a correr bem sim senhor! Ainda sem olhar nos meus olhos, ela não fala essas palavras, o cansasso é tão grande que as letras vão deslizando boca a fora.
Nesse momento sinto que praticamente toda a universidade para e fixa o olhar em mim com um certo grau de surpresa.
-Como assim você está interagindo com uma funcionária?. Juro que poderia ler o pensamento deles, e era isso que escutava.
-Qual o seu nome? Nesse momento a cabeça da senhora ergui-se lentamente.
-Beatriz... Ela me responde com quase uma lágrima escorrendo pelos olhos.
-Muito prazer Beatriz, meu nome é eLLY, olha, a comida está com uma aparência ótima, se estiver boa eu volto aqui e te dou um beijo.
Ela ri e todos em volta, primeiramente surpresos com minha atitude, entram no tom de descontração e riem junto com a funcionária.
Durante o almoço o assunto era esse, a minha breve interação com Beatriz. As mulheres se mostravam muito mais interessadas no meu pênis do que há 2 minutos atras. Talvez comprementar desconhecidos seja o grande segredo dos conquistadores.
Eu estava a saborear a comida e realmente estava deliciosa, e todos ali na mesa concordaram comigo.
- Essa comida está tão boa, alguma vez alguem já foi parabenizar a Beatriz?. Realmente me surpreendo como somos tão indiferentes aos trabalhadores menos remunerados.
- Não, é a obrigação dela, ela é paga para fazer um boa comida. Quando o animal, que anteriormente o aturei por fazer uma piadinha sobre brócoles e filosofos, disse aquilo, me subiu um ódio pela cabeça que só me apetecia adicionar ele no facebook, começar uma amizade duradoura, trocar experiências, ir um dia jantar na casa dele, conhecer sua família, me oferecer para dormir em sua casa quando o seu pai estiver viajando e a noite, entrar no quarto da mãe dele e fode-la ao som de Pink Floyde.
-OK, entendo seu ponto de vista. Isso para mim pareceu uma resposta mais amigável.
Terminei meu almoço, peguei no meu prato e fui me dirigindo para a cozinha. Encontrei Beatriz pelo caminho e já lhe dei o beijo prometido. Ela me levou para conhecer as outras cozinheiras. Nos divertiamos muito enquanto contavamos histórias e enchiam minha boca de doces e restos de batata frita do almoço do dia anterior.
Gostei muito de conhecer todas elas, em anos de profissão, pela primeira vez na história, alguem se interessou em simplesmente ser grato pela vida que leva e reconhecer o valor de cada pessoa na terra e , a cima de tudo, fazer os outros se sentirem especiais.
Depois daquele dia, Beatriz sempre abria um sorriso quando me via na fila do almoço, enchia sempre o meu prato com mais comida do que os outros, além de eu ganhar a mordomia de sempre ir na cozinha pegar outras refeições ''mais requintadas''.
E agora sento nas escadas da faculdade e reflito, se sou realmente uma alma do bem ou um gordo aproveitador.
Chega a hora do almoço e eu tento socializar com pessoas que simplesmente não me despertam qualquer interesse.
- Eu adorei aquela parte que o professor citou Marx para falar sobre a classe opressora. Uma garota completamente sem qualquer atributo físico positivo tentou puxar assunto.
- Uhum, é... foi legal. Tento ao máximo abrir um sorriso. Talvez esses anos de estudo de BL sirvam para alguma coisa.
Entro na fila, que se move numa velocidade que deixaria Rubinho Barriquelo com inveja de tamanha lentidão (sim, eu fiz essa piada)
Enquanto a fila anda, eu solto breves palavras para os meus ''amigos'' só para demonstrar que não sou um ogro introvertido de todo.
Olho o cardápio.
- Que merda, arroz com brócolis! Somos filósofos mas ainda não somos mendigos! Um maluco solta em voz alta para atrair para si todas as atenções, até que ele tem um senso de humor que me agrada, talvez eu ainda tolere sua presença por mais alguns minutos.
Me aproximo da recepção e reparo numa senhora triste, em um tom quase melancólico, servindo a comida como se cada prato de arroz que colocava no meu prato fosse mais uma tonelada de tristesa nas suas costas.
- Oi, como é que tá o trabalho hoje?. Pela primeira vez me deparo com alguem que mereça minha atenção.
-Ah, esta a correr bem sim senhor! Ainda sem olhar nos meus olhos, ela não fala essas palavras, o cansasso é tão grande que as letras vão deslizando boca a fora.
Nesse momento sinto que praticamente toda a universidade para e fixa o olhar em mim com um certo grau de surpresa.
-Como assim você está interagindo com uma funcionária?. Juro que poderia ler o pensamento deles, e era isso que escutava.
-Qual o seu nome? Nesse momento a cabeça da senhora ergui-se lentamente.
-Beatriz... Ela me responde com quase uma lágrima escorrendo pelos olhos.
-Muito prazer Beatriz, meu nome é eLLY, olha, a comida está com uma aparência ótima, se estiver boa eu volto aqui e te dou um beijo.
Ela ri e todos em volta, primeiramente surpresos com minha atitude, entram no tom de descontração e riem junto com a funcionária.
Durante o almoço o assunto era esse, a minha breve interação com Beatriz. As mulheres se mostravam muito mais interessadas no meu pênis do que há 2 minutos atras. Talvez comprementar desconhecidos seja o grande segredo dos conquistadores.
Eu estava a saborear a comida e realmente estava deliciosa, e todos ali na mesa concordaram comigo.
- Essa comida está tão boa, alguma vez alguem já foi parabenizar a Beatriz?. Realmente me surpreendo como somos tão indiferentes aos trabalhadores menos remunerados.
- Não, é a obrigação dela, ela é paga para fazer um boa comida. Quando o animal, que anteriormente o aturei por fazer uma piadinha sobre brócoles e filosofos, disse aquilo, me subiu um ódio pela cabeça que só me apetecia adicionar ele no facebook, começar uma amizade duradoura, trocar experiências, ir um dia jantar na casa dele, conhecer sua família, me oferecer para dormir em sua casa quando o seu pai estiver viajando e a noite, entrar no quarto da mãe dele e fode-la ao som de Pink Floyde.
-OK, entendo seu ponto de vista. Isso para mim pareceu uma resposta mais amigável.
Terminei meu almoço, peguei no meu prato e fui me dirigindo para a cozinha. Encontrei Beatriz pelo caminho e já lhe dei o beijo prometido. Ela me levou para conhecer as outras cozinheiras. Nos divertiamos muito enquanto contavamos histórias e enchiam minha boca de doces e restos de batata frita do almoço do dia anterior.
Gostei muito de conhecer todas elas, em anos de profissão, pela primeira vez na história, alguem se interessou em simplesmente ser grato pela vida que leva e reconhecer o valor de cada pessoa na terra e , a cima de tudo, fazer os outros se sentirem especiais.
Depois daquele dia, Beatriz sempre abria um sorriso quando me via na fila do almoço, enchia sempre o meu prato com mais comida do que os outros, além de eu ganhar a mordomia de sempre ir na cozinha pegar outras refeições ''mais requintadas''.
E agora sento nas escadas da faculdade e reflito, se sou realmente uma alma do bem ou um gordo aproveitador.